7 de fevereiro de 2013

17.

Se começo não acabo, mas é assim que preferes, é assim que será. Confesso que procuro todos os dias no mesmo recanto algo que sei que jamais voltarei a encontrar. Tal como tu, procuro em vão. Tal como tu, espero em vão. As palavras voaram de mim, felizmente o sentimento ficou aqui agarrado, com unhas e dentes. Mudaste as palavras de espaço e nem quando precisas recordas o teu antigo lar. A minha noite de ontem foi passada a recordar. Percorri meses de história desde o primeiro texto que te escrevi – aquele que denominei de “Comboio”-, até ao último. Passei a noite a colocar etiquetas nos textos, para que eles estivessem alinhados aqui nesta barrinha lateral. E os meses, os meses em rodapé. Vasculho entre as teias de aranha e sopro o pó das estantes. Nem sinal da tua presença. Perdeste a magia. Em tudo o que fazes ou dizes. A magia não se perde… Ela voa. Talvez tenha voado para junto da tua. Talvez tenha voado com o teu último manuscrito, aquele em que tão bem redigiste um “Fica a saudade de escrever para ti.” Já não te importas mais com o que sempre nos sustentou. Deixas a cada dia que passa de ser a criança por quem me apaixonei. Cresceste de mais para sonhar. Sempre me disseste e ensinaste que não era um texto lamechas que querias, que não era uma frase e uma imagem e “tava bom”. Ia fingir? Ia unir forças para escrever? De nada me serve escrever se não posso ter verdadeiramente. Ia basear-me em quê? Agarro-me ao passado ferido e ao orgulho presente. Poucas cartas lanço sobre o futuro que queres incerto. Eu continuo a sonhar… Deito-me de cabeça para baixo, para nem ver no que nos transformámos. Esqueço tudo e adormeço. Nem os espaços, nem as memórias, te trazem de volta a quem és. Esqueces-te de para quem foste.

No teu espaço aprendi que não importa o que escrevo. No teu lar, como com orgulho lhe chamas, ouvi que textos lamechas não importam e que escrever para “os outros lerem” também não tem qualquer valor. Escrevo quando sinto necessidade, quando pego numa folha e as palavras surgem... Tal como agora. Para ti sempre foi só um dia, um dia especial, mas nada de extraordinário. De há dois meses para cá que não escreves, que não assinalas este dia. E eu também sinto saudades. Também actualizo a página várias vezes ao dia, esperando por ti. Se hoje não foi um dia bom, rezo para que amanhã o seja. Porque afinal de contas, este é “só mais um dia”, podemos celebrá-lo quando quisermos. Não deixam de ser um ano e cinco meses, não deixam de ser nossos. Fica o repost do que estava agendado.

1 comentário:

Anónimo disse...

Nenhuma história tem só episódios felizes, quando até os contos de "E viveram feliz para sempre" passam por breves momentos de angústia. Mas de que vale ser feliz sem valorizar? É por isso que existem estas alturas, para posteriormente recuperar toda a magia que voou para longe. E vocês vão conseguir fazê-lo. Vocês e o vosso amor. Força!