Se começo não acabo, mas é assim que preferes, é assim que
será. Confesso que procuro todos os dias
no mesmo recanto algo que sei que jamais voltarei a encontrar. Tal como tu,
procuro em vão. Tal como tu, espero em vão. As palavras voaram de mim,
felizmente o sentimento ficou aqui agarrado, com unhas e dentes. Mudaste as palavras de espaço e nem quando
precisas recordas o teu antigo lar. A minha noite de ontem foi passada a
recordar. Percorri meses de história desde o primeiro texto que te escrevi –
aquele que denominei de “Comboio”-, até ao último. Passei a noite a colocar etiquetas
nos textos, para que eles estivessem alinhados aqui nesta barrinha lateral. E
os meses, os meses em rodapé. Vasculho
entre as teias de aranha e sopro o pó das estantes. Nem sinal da tua presença. Perdeste
a magia. Em tudo o que fazes ou dizes. A magia não se perde… Ela voa.
Talvez tenha voado para junto da tua. Talvez tenha voado com o teu último
manuscrito, aquele em que tão bem redigiste um “Fica a saudade de escrever para
ti.” Já não te importas mais com o que
sempre nos sustentou. Deixas a cada
dia que passa de ser a criança por quem me apaixonei. Cresceste de mais para
sonhar. Sempre me disseste e ensinaste que não era um texto lamechas que
querias, que não era uma frase e uma imagem e “tava bom”. Ia fingir? Ia unir
forças para escrever? De nada me serve escrever se não posso ter
verdadeiramente. Ia basear-me em quê? Agarro-me
ao passado ferido e ao orgulho presente. Poucas cartas lanço sobre o futuro que
queres incerto. Eu continuo a sonhar… Deito-me
de cabeça para baixo, para nem ver no que nos transformámos. Esqueço tudo e
adormeço. Nem os espaços, nem as memórias, te trazem de volta a quem és. Esqueces-te
de para quem foste.
No teu espaço aprendi que não importa o que escrevo. No teu
lar, como com orgulho lhe chamas, ouvi que textos lamechas não importam e que
escrever para “os outros lerem” também não tem qualquer valor. Escrevo quando
sinto necessidade, quando pego numa folha e as palavras surgem... Tal como
agora. Para ti sempre foi só um dia, um dia especial, mas nada de extraordinário.
De há dois meses para cá que não escreves, que não assinalas este dia. E eu também
sinto saudades. Também actualizo a página várias vezes ao dia, esperando por
ti. Se hoje não foi um dia bom, rezo para que amanhã o seja. Porque afinal de
contas, este é “só mais um dia”, podemos celebrá-lo quando quisermos. Não deixam
de ser um ano e cinco meses, não deixam de ser nossos. Fica o repost do que
estava agendado.
1 comentário:
Nenhuma história tem só episódios felizes, quando até os contos de "E viveram feliz para sempre" passam por breves momentos de angústia. Mas de que vale ser feliz sem valorizar? É por isso que existem estas alturas, para posteriormente recuperar toda a magia que voou para longe. E vocês vão conseguir fazê-lo. Vocês e o vosso amor. Força!
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