Apresentei-to. Pedi-lhe que fosse comigo até aí, com o
intuito de vocês se conhecerem. Não proferi uma única palavra. Mas escrevi-te. Eu
e ele. Enchemos aquela garrafa de esperança e areia. Pedras e Amor. Fechámo-la
com uma tampa e lançamo-la ao mar. As ondas estavam fortes, o mar estava
revoltado. O tempo, por si só, estava confuso. Atravessámos uma corrente de
chuva forte, antecedida por um vento cortante. Depois, o sol raiou. Depois,
depois de termos escrito o que nunca te dissemos, o sol deu-nos as mãos. Por entre
suspiros e soluços, ficou o alívio de tê-lo feito. Eu precisava daquilo. Há muito
tempo que tinha inúmeras coisas pendentes para te dizer. Há seis anos que
esperava pelo dia em que poderia voltar a falar contigo novamente. Há seis anos
atrás, num dia não tão nublado como este, eu imaginava tudo menos a tua
partida. Não sabia o que era perder. Não sabia a dor que iria carregar no peito
por não te ter ao meu lado. O meu maior erro foi esse. O meu maior erro foi não
me ter despedido de ti. Porque não pude… Porque a morte não avisa nem espera
por ninguém. É cruel. E dói. Dói no peito de quem cá fica. Dói no peito de quem
te Ama sem te ver. Dói no peito da tua neta. Que leias as palavras que te
escrevi e ao mar lancei. Que sorrias e que te lembres de mim, assim, tal e qual
como quando me deixaste. Um beijo meu herói. Até sempre.

1 comentário:
que bonito o que fizeste inês. :) *
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