23 de agosto de 2014

Por vezes, nem a escrita nos acalma e o papel nos tranquiliza. Nem o sol de uma tarde quente, que insiste em entrar janela dentro. Por vezes, somos só nós. Sozinhos neste mundo, com o engenho a descoberto e alma enregelada. Somos seres frágeis e estamos propensos a tudo o que nos rodeia, seja isso bom ou mau. A verdade é que, no final de contas, acabamos por não ser ninguém nesta vida. Por muito que achemos que estamos a mudar o mundo, por muitas boas acções que façamos, por muito que mostremos aos outros o quanto gostamos deles... Nada importa. Acaba sempre por ser pouco, acaba sempre por ser apenas mais uma demonstração, acaba sempre por não ter o valor que julgávamos que iria ter. Será que somos importantes? Será que conseguimos fazer a diferença? Será que damos para um dia nos darem a nós? E aí pensamos: será que alguma vez vamos fazer algo por alguém, para que essa pessoa nos fique eternamente agradecida? Retóricas constantes de quem também precisa de demonstrações de afecto. 

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