Tinha 12 anos. 12 anos e poucas histórias para contar. Tive uma
infância normal, apesar de todos os obstáculos. Fui feliz. Partilhei-a contigo
e talvez por isso me tenha custado. Apesar da idade que tinha, sempre tive consciência
do que tinha acontecido. A perda. A sensação de impotência e de ter deixado
algo por fazer. O não poder voltar atrás no tempo. Tudo isto me levou ao
extremo. Passei dias e noites a fio, a chorar. Parava quando estava cansada e
fraca, mas logo me lembrava de algo e puff, era inevitável. Não sabia o que doía
até te ter perdido. Ainda hoje não sei lidar com isso. Ainda hoje te imagino
comigo. No outro dia, enquanto revirava algumas memórias do presente que hoje
vivo, lembrei-me de ti. Não que não o faça todos os dias, mas naquele momento
em particular, a tua silhueta surgiu ao meu lado. E sempre que isso acontece,
penso no dia. Na manhã, no momento. Penso na noite anterior. Penso nas palavras
que disseste à mãe, enquanto me ouvias a chorar. Não me vias, mas sentias que
eu estava presente. Ouvi a tua voz e guardei-a no meu engenho, nunca esperando
que essa seria a última vez. Recordo-me de ter acordado mal disposta porque
tinha teste de inglês. Nunca gostei de inglês e não me sentia preparada para o
fazer, sequer. Estava no 7ºano e as coisas já se estavam a complicar. À minha
volta toda a gente criava expectativas acerca dos meus resultados escolares. Sempre
tive essa pressão, é um facto. Mas, voltando àquela manhã, saí de casa super
nervosa. Fiz o teste. Correu razoavelmente para manter a nota. Nada de grave. Contudo,
na aula seguinte, em educação física, caí e magoei-me, no alcatrão. Esfolei o
joelho e torci o pé. Quiseram levar-me até ao hospital mas eu, apavorada como
andava, neguei a ajuda. Fui sozinha até casa. Tinha de ir almoçar. Assim que abro
a porta, dou de caras com a minha mãe. Ela estava a chorar. E nada mais havia a
dizer. O silêncio falou mais alto e disse tudo aquilo que eu não estava
preparada para ouvir. E à uns dias atrás, repito, enquanto remexia na caixa
vermelha que transborda de felicidade, surgiste ao meu lado. Eu sorri. E foi aí
que entendi o que até então não tinha percebido. O dia. O dia em que alguém te
levou foi o mesmo em que alguém trouxe outro alguém até mim. Não acreditava no
destino e nunca acreditei em coincidências, mas nesse dia “tudo” passou a fazer
sentido. E digam o que disserem, para mim foste tu. Foste tu quem o trouxe até
mim. E eu vou fazer com que tu te orgulhes de mim. Estejas onde estiveres, eu
sei que consigo fazê-lo. Ele toma conta de mim, tal como tu fazias comigo. Ele faz-me
feliz, tal como tu fizeste. Há coisas que não se explicam e sinceramente, não sei
explicar o que senti nesse momento. Há-de ser sempre um dia que eu irei
recordar. E não apenas por ter sido o dia em que partiste, mas também porque
foi o dia em que ele chegou à minha vida. O dia 18. Espero que estejas bem. Eu estou feliz... Com ele.

8 comentários:
adorei, está tão profundo. lindo mesmo!
estremeci ao ler essas palavras. há aí muito sentimento. muita saudade, não ? beijinho *
gosto muito do blog*
eu sei que sou a pessoa mais choramingas que deve existir, mas chorei a ler isto ...
isto está lindo...
Maravilhei-me ao ler cada linha repleta de sentimento. Sê sempre feliz <3
Está lindo princesa, ele vai estar sempre a olhar por ti, está muito orgulhoso de ti, sabes disso.
Cáa, sempre aqui.
Se as coincidências não existem, acho que apenas nos resta acreditar que foi tudo por Amor.
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