14 de julho de 2012

18

Tinha 12 anos. 12 anos e poucas histórias para contar. Tive uma infância normal, apesar de todos os obstáculos. Fui feliz. Partilhei-a contigo e talvez por isso me tenha custado. Apesar da idade que tinha, sempre tive consciência do que tinha acontecido. A perda. A sensação de impotência e de ter deixado algo por fazer. O não poder voltar atrás no tempo. Tudo isto me levou ao extremo. Passei dias e noites a fio, a chorar. Parava quando estava cansada e fraca, mas logo me lembrava de algo e puff, era inevitável. Não sabia o que doía até te ter perdido. Ainda hoje não sei lidar com isso. Ainda hoje te imagino comigo. No outro dia, enquanto revirava algumas memórias do presente que hoje vivo, lembrei-me de ti. Não que não o faça todos os dias, mas naquele momento em particular, a tua silhueta surgiu ao meu lado. E sempre que isso acontece, penso no dia. Na manhã, no momento. Penso na noite anterior. Penso nas palavras que disseste à mãe, enquanto me ouvias a chorar. Não me vias, mas sentias que eu estava presente. Ouvi a tua voz e guardei-a no meu engenho, nunca esperando que essa seria a última vez. Recordo-me de ter acordado mal disposta porque tinha teste de inglês. Nunca gostei de inglês e não me sentia preparada para o fazer, sequer. Estava no 7ºano e as coisas já se estavam a complicar. À minha volta toda a gente criava expectativas acerca dos meus resultados escolares. Sempre tive essa pressão, é um facto. Mas, voltando àquela manhã, saí de casa super nervosa. Fiz o teste. Correu razoavelmente para manter a nota. Nada de grave. Contudo, na aula seguinte, em educação física, caí e magoei-me, no alcatrão. Esfolei o joelho e torci o pé. Quiseram levar-me até ao hospital mas eu, apavorada como andava, neguei a ajuda. Fui sozinha até casa. Tinha de ir almoçar. Assim que abro a porta, dou de caras com a minha mãe. Ela estava a chorar. E nada mais havia a dizer. O silêncio falou mais alto e disse tudo aquilo que eu não estava preparada para ouvir. E à uns dias atrás, repito, enquanto remexia na caixa vermelha que transborda de felicidade, surgiste ao meu lado. Eu sorri. E foi aí que entendi o que até então não tinha percebido. O dia. O dia em que alguém te levou foi o mesmo em que alguém trouxe outro alguém até mim. Não acreditava no destino e nunca acreditei em coincidências, mas nesse dia “tudo” passou a fazer sentido. E digam o que disserem, para mim foste tu. Foste tu quem o trouxe até mim. E eu vou fazer com que tu te orgulhes de mim. Estejas onde estiveres, eu sei que consigo fazê-lo. Ele toma conta de mim, tal como tu fazias comigo. Ele faz-me feliz, tal como tu fizeste. Há coisas que não se explicam e sinceramente, não sei explicar o que senti nesse momento. Há-de ser sempre um dia que eu irei recordar. E não apenas por ter sido o dia em que partiste, mas também porque foi o dia em que ele chegou à minha vida. O dia 18. Espero que estejas bem. Eu estou feliz... Com ele.

8 comentários:

Pat disse...

adorei, está tão profundo. lindo mesmo!

Anónimo disse...

estremeci ao ler essas palavras. há aí muito sentimento. muita saudade, não ? beijinho *

Anónimo disse...

gosto muito do blog*

por ti, mudava o mundo disse...

eu sei que sou a pessoa mais choramingas que deve existir, mas chorei a ler isto ...

Carina disse...

isto está lindo...

Aurora disse...

Maravilhei-me ao ler cada linha repleta de sentimento. Sê sempre feliz <3

Anónimo disse...

Está lindo princesa, ele vai estar sempre a olhar por ti, está muito orgulhoso de ti, sabes disso.
Cáa, sempre aqui.

Anónimo disse...

Se as coincidências não existem, acho que apenas nos resta acreditar que foi tudo por Amor.