Ninguém percebe o carinho enorme que nutro por eles. Ninguém sabe o orgulho que me dá ficar horas a fio a vê-los nadar, juntos. Eram um dos meus maiores desejos e nunca ninguém foi capaz de entender o porquê. E a verdade, a verdade é que eu própria não sei explicar. Mas são meus. São nossos. Foi a melhor prenda que me podias ter dado. Concretizaste-me um sonho quando te vi passar a porta de minha casa com o aquário na mão. Conheces-me e, como tal, sabias que eu sempre tivera aquele bichinho de voltar a ter peixes assim. Tratar deles. Amá-los como se fossem seres humanos. Dar-lhes carinho, atenção e tudo o que eles precisassem. E isso nunca lhes faltou. Eram pequeninos quando chegaram às minhas mãos. Mas eu cuidei deles. E agora estão enormes. Tão grandes. Mudaram tanto… Tornaram-se cúmplices e estão a passar por isto juntos. E eu fiz-te uma promessa. Mas tenho medo. Tenho medo de acordar um dia e ver aquilo que não quero ver. Porque eu sei que é isso que vai acontecer. A Wendy está doente. E o Lupe não consegue tratar dela. Nem ele, nem eu. E isso parte-me o coração. Sinto-me inútil ao vê-la assim, sabes? Chorei. Chorei ao vê-la no fundo do aquário, quase sem se mexer. E oh, eu sei, os peixes não criam qualquer tipo de ligação connosco, mas eu criei uma muito forte com eles. Dei-lhes Vida. E agora eles estão a morrer… Juntos.


1 comentário:
oh inês..que lindo, que carinho enorme
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