São duas e trinta e sete da manhã e eu começo a redigir este desafogo. É um desafio, manter o equilíbrio e sair à rua com um sorriso no rosto. Tenho a certeza, hoje vou falhar. Já sorri. Já chorei. Já gritei em silêncio. Já sufoquei as palavras e as interrogações retóricas que invadiram a minha alma. Já afoguei as mágoas na almofada mas, mesmo assim, sinto que ainda as tenho dentro do meu ser. E tudo isto no curto espaço de uma hora. Sessenta minutos, precisamente. É angustiante. Dói demasiado. E podia ser daquele tipo de dores que surge e rapidamente desaparece, mas não. Insiste em continuar, em ferir, em sangrar. Duas e cinquenta e dois da manhã. O sono continua distante e a madrugada trouxe a solidão. Já não me conheço. Eu, uma pessoa que depende de uma noite bem dormida para acordar com um sorriso no rosto, estou aqui, assim. Apenas existo, não vivo. Olho em redor e observo cada pormenor do meu quarto. Quatro paredes brancas com memórias por todos os cantos, nada demais. Como se tudo isto fosse pouco... Sinto-me estranha. Como se estivesse vazia, sei lá... Oh, não sei mais o que fazer, o que dizer, nem no que pensar. Contudo, também não consigo fechar os olhos e simplesmente adormecer. Dói-me a cabeça e cada vez que tento fazê-lo, acabo por desistir. Três e dois da manhã. As palavras que ouvi ecoam na minha mente e pior do que isso é que parece que as oiço a cada segundo que passa. Mas a fraqueza vence. Há-de vencer-me, espero. Continuarei a amar-te, ao amanhecer, prometo. Nem a noite fria leva o que o vento e a chuva não foram capazes de demover. Três e sete da manhã.

3 comentários:
meu amor, não gosto quando escreves assim, tão tristinha :x
you're not alone... I <3 you!
O que se passa?
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